terça-feira, 30 de junho de 2009

Tragédia.


Os meus olhos estavam embaçados e feridos pelas luzes dos carros que não paravam de passar.

Percebi que já tinha passado por aquelas ruas em que eu andava sem rumo. Logo me recordei. Como eu poderia esquecer do lugar onde estive nos dias em que fui a pessoa mais viva do mundo?

De qualquer jeito aquele lugar era o que eu mais temia estar novamente. Mas eu não sabia como havia parado ali. Só queria fugir disso tudo, mas parece que andei em círculos.

A noite estava tão fria e a dor na cabeça havia voltado, martelando o meu crânio brutalmente. Fazendo-me franzir o cenho e andar mais devagar, meio tonta. Por que isso tudo não acabava?

Tudo em minha volta sumiu e a noite virou dia. Pensei estar delirando, - e talvez eu estivesse - mas comecei a sorrir quando eu vi. Quando eu nos vi, andando pela calçada de mãos dadas, vento balançando os cabelos. O brilho nos olhos denunciavam a nossa indescritível felicidade e, tenho certeza que todos que passavam por perto sabiam que não precisávamos de mais ninguém.

Mesmo o sol estando escondido atrás de um céu nublado, era o dia mais colorido que eu havia presenciado.

Era o dia mais mágico. Mais lindo. Mais trágico.

Enquanto eu nos assistia, senti um nó na minha garganta prestes a me estrangular ali mesmo, mal conseguia respirar. Me encostei na parede, parando de sorrir aos poucos. As lágrimas insistiam em permanecer em meus olhos, recusavam a cair.

Continuei nos assistindo.

Nossos sorrisos eram tão vivos e trocávamos os olhares mais doces que podiam existir...

Quis gritar, mas não adiantaria alguma coisa.

De repente não sentia mais nada. Nada. Não sentia a minha cabeça doer, nem o meu coração bater.

Foi quando me conscientizei de que eu havia me perdido em cada passo que dei de volta para casa no último dia, ao contrário do primeiro dia em que me encontrei em cada passo que dei ao seu encontro.

Eu estava morta.

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